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Tragédia no CT

'Eu ia dormir no quarto onde morreram três', conta jogador que sobreviveu ao incêndio no CT do Flamengo

Kayque Soares, de 15 anos, chegou ao aeroporto de Palmas sob aplausos e encontrou com a família.

09/02/2019 12h57
Por: Orleanes Ta Massa
Fonte: G1
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Jogador que sobreviveu ao incêndio no CT do Flamengo chega em Palmas e é abraçado pela família — Foto: Ana Paula Rehbein/TV Anhanguera
Jogador que sobreviveu ao incêndio no CT do Flamengo chega em Palmas e é abraçado pela família — Foto: Ana Paula Rehbein/TV Anhanguera

Ao chegar ao aeroporto Brigadeiro Lysias Rodrigues em Palmas na manhã deste sábado (9), o jogador Kayque Soares Campos, de 15 anos, que sobreviveu ao incêndio no Centro de Treinamento do Flamengo, foi recebido com aplausos. Dezenas de pessoas o aguardavam ansiosas por um abraço. Um dia depois da tragédia que matou 10 pessoas no Ninho do Urubu, como é chamado o CT do clube carioca localizado na Zona Oeste do Rio de Janeiro, o zagueiro tocantinense relatou os momentos de pavor que viveu.

"Na verdade, eu ia dormir em outro quarto, onde morreram três. Aí [na noite anterior] eu falei: 'Eu vou dormir com esses meninos aqui hoje e amanhã eu volto'. Graças a Deus, todo mundo desse quarto conseguiu sair".

Kayque contou que o fogo começou no ar-condicionado do primeiro quarto e foi passando para os outros cômodos. O quarto onde ele estava dormindo era o terceiro e fica perto da porta de saída. Na madrugada do incêndio, ele acordou com os gritos de socorro.

"Eu estava dormindo e só escutei o barulho. Pulei da cama e saí pela porta. Olhei atrás, estava tudo com fogo, queimei um pouco minha perna, mas está tudo tranquilo. Escutei alguns pedindo socorro", lembrou.

No quarto onde ele estava, dormiam seis meninos e todos conseguiram sair a tempo. Kayque chegou ao aeroporto com a roupa do corpo e com um tênis que foi comprado pelo clube. Um supervisor do Flamengo o acompanhou na viagem, mas não quis comentar o caso. Os pertences do zagueiro foram queimados.

Kayque passou no teste do Flamengo no fim de 2017 e se mudou para o Rio de Janeiro, em fevereiro de 2018. Morava numa pensão até que surgiu uma vaga e se mudou para o CT na última terça-feira (5).

Apaixonado por futebol, ele joga bola desde os seis anos e sonha em ser um jogador. Apesar do trauma que viveu no incêndio, não vai desistir do sonho. "Todo mundo era quase irmão, era nossa família lá dentro. Cada um ajudando o outro sempre. Vou continuar correndo atrás do meu sonho. Eles se foram e eu vou homenageá-los, vou correr atrás por eles. Eles não tiveram a chance e o sonho deles acabou".

Para ele, chegar em casa e abraçar a família é um alívio. "Deus me deu uma segunda chance".

Tragédia

O incêndio atingiu o alojamento no Ninho do Urubu, na Zona Oeste do Rio, no início da manhã desta sexta-feira. Jovens atletas do Flamengo estão entre os dez mortos.

As chamas atingiram as instalações onde dormiam jogadores entre 14 e 17 anos que não residiam no Rio. Às 9h50, a polícia chegou ao Ninho do Urubu para fazer a perícia. Um inquérito foi instaurado na 42ª DP (Recreio dos Bandeirantes) para apurar as causas do desastre.

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