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TECNOLOGIA

Por que o iPhone é tão caro no Brasil?

Vendido no País a partir desta sexta-feira, 18, novo modelo ficou um pouco mais barato do que anterior, mas continua distante da realidade

18/10/2019 08h54
Por: Orleanes Ta Massa
Fonte: https://www.terra.com.br/
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A partir desta sexta-feira, 18, os brasileiros que tiverem pelo menos R$ 5 mil no bolso poderão comprar um dos modelos do iPhone 11, nova versão do smartphone da Apple. O aparelho está mais barato do que no ano passado: em 2018, o modelo mais simples do iPhone XR custava R$ 5,2 mil por aqui. É necessário considerar que dólar saltou da casa dos R$ 3,70 para mais de R$ 4 em 12 meses. Ainda assim, o iPhone continua a ser um produto para muito poucos no País.

A composição do preço do iPhone é complexa. Não basta apenas converter o preço da moeda americana para o real. Nos EUA, o modelo mais simples do iPhone 11, com 64 GB de armazenamento interno, começou a ser vendido no mês passado por US$ 699 (cerca de R$ 2,9 mil) - US$ 50 a menos que no ano anterior.

A redução está baseada em uma estratégia de negócio: depois de faturar muito com celulares que chegaram a custar mais de US$ 1 mil, a Apple sofreu com a queda nas vendas no final de 2018, especialmente em países emergentes, como a China. Para contra-atacar, a empresa está tentando tornar sua linha de produtos mais acessível.

EO da Apple, Tim Cook, apresenta o novo iPhone 11 em um evento da Apple em Cupertino, Califórnia (EUA) 10/09/2019 REUTERS/Stephen Lam
Foto: Reuters

"Com o iPhone 11, a Apple quer uma fatia maior do mercado ao oferecer um celular de ponta com preço médio", explica Frank Gillett, vice-presidente da consultoria de pesquisas Forrester. Mas essa estratégia não vale para o Brasil, onde um telefone da Apple continua a ser um produto premium.

Procurada pelo Estado, a Apple não respondeu às solicitações de entrevista. Mas lembrou que "os preços estão melhores ao serem comparados com os do ano passado, mesmo com a alta do dólar."

Quem converte não se diverte!

Achar que o iPhone é caro no Brasil começa pela comparação com o preço dos EUA. É uma conta que segue a máxima do "quem converte não se diverte": em 2019, mesmo em dólares, o iPhone 11 custa 75% a mais por aqui do que nos Estados Unidos.

Em outros anos, como 2011 e 2014, já foi possível comprar dois aparelhos lá fora pelo preço de um celular da marca no Brasil. Não à toa, muita gente já chegou a considerar pagar uma passagem para o exterior só para comprar um celular. O mesmo também valeu, durante uma boa época, com o PlayStation 4, outro item pop do mundo da tecnologia.

Os economistas dão um nome específico a essa "sensação": é a chamada Paridade do Poder de Compra (PPC), estimativa que cria um sistema artificial de câmbio entre moedas, baseado na cotação de um único produto. É um cálculo que ficou bastante popular, nas últimas décadas, ao ser feito com o preço do Big Mac (sim, o lanche do McDonald's) em cada país.

Outra forma de comparar preços entre países é entender quanto um produto custa a partir da porcentagem que ele representa no PIB per capita - isto é, o valor total do Produto Interno Bruto da nação dividido pelo número de habitantes. É uma forma de entender a relação entre o custo de vida em um determinado país e o valor do iPhone.

Em um ranking elaborado pela startup britânica Self, o Brasil ocupa uma das piores colocações no mundo nesse quesito, atrás apenas das Filipinas - feito em julho, o cálculo da startup considera os valores do iPhone XR e os números divulgados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para cada país. 

Para Cesar Caselani, professor de Finanças da Fundação Getúlio Vargas, a conclusão direta é: "o peso (do preço do iPhone) sobre o PIB é muito maior no Brasil do que nos EUA". É preciso fazer uma ressalva, porém: como reconhecem os economistas, essa comparação é uma métrica imperfeita, usada para relações didáticas, que ignoram a realidade local.

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